fibra vegetal não é um material nobre no sentido convencional. O que a torna preciosa é o que o tempo fez a ela — e o fato de que esse processo não pode ser encomendado.
Os escudos rituais em fibra trançada produzidos na África Central do século XIX ocupavam um lugar específico dentro dos sistemas cerimoniais de suas sociedades de origem: eram objetos de presença física em contextos de iniciação, diplomacia e transferência de autoridade. A escolha da fibra vegetal — em vez de couro ou metal, materiais disponíveis nas mesmas culturas — não era limitação técnica: era decisão simbólica. A leveza do escudo de fibra o tornava adequado ao contexto cerimonial em que devia ser carregado, não empunhado em combate.
O que estes escudos trazem para um colecionador do século XXI é algo que o mercado de arte raramente nomeia com precisão: a beleza específica da degradação controlada. Mais de 150 anos de existência produziram na superfície de fibra um padrão de envelhecimento — variações de tonalidade, separações de trança em pontos de tensão, a geometria do padrão original parcialmente visível sob o que o tempo acrescentou — que nenhum artesão contemporâneo poderia reproduzir. Essa superfície é simultaneamente documento e argumento: prova que o objeto passou por algo, e demonstração de que sua estrutura era suficientemente coerente para sobreviver a isso.
O conjunto é raro não pela raridade de um tipo de objeto, mas pela raridade de encontrar peças desta integridade de uso real fora de coleções museológicas.
Sobre o que a degradação comunica nos objetos: Pátina, Impermanência e a Beleza do Tempo
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Armas
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