aruda não é apenas guardião de um mito. É a forma que uma tradição escolheu para representar vitória sobre o caos. Garuda ocupa lugar central na tradição hindu-balinesa: guardião, símbolo de coragem e veículo divino de Vishnu, representa a vitória da ordem sobre o caos e a capacidade de elevar-se acima do mundo material. Ao longo dos séculos, sua imagem tornou-se uma das mais emblemáticas da arte de Bali, onde escultura, arquitetura e espiritualidade permanecem profundamente entrelaçadas. Esta escultura foi inteiramente entalhada à mão a partir de um único bloco de madeira, seguindo a técnica tradicional empregada por mestres escultores balineses. A riqueza dos volumes, a expressividade do rosto, a profundidade dos entalhes e a composição monumental das asas revelam uma obra concebida para transmitir presença e movimento. A madeira apresenta características compatíveis com a madeira de jaca (Artocarpus heterophyllus), uma das espécies mais tradicionais da escultura balinesa — amplamente usada em templos, figuras religiosas e esculturas cerimoniais pela estabilidade estrutural, facilidade de entalhe e boa capacidade de conservar policromia ao longo do tempo. As retrações naturais, pequenas fissuras e marcas de manuseio observadas na peça são consistentes com o envelhecimento esperado desse material. A datação — estimada entre as décadas de 1950 e 1970 — baseia-se em características estilísticas e no estado da madeira; não há, até o momento, documentação que a confirme. A policromia, aplicada manualmente, permanece amplamente preservada, com tons intensos de vermelho, branco, azul, verde e dourado que dialogam com a tradição estética de Bali, onde a cor não apenas ornamenta, mas amplia o significado simbólico das figuras sagradas. Sem exame técnico, não é possível afirmar se toda a camada de tinta é original ou se parte dela resulta de manutenção posterior — prática comum em esculturas cerimoniais balinesas. Mais do que uma representação mitológica, esta escultura sintetiza uma tradição artística que atravessou gerações — em contexto religioso, decorativo ou arquitetônico, usos que também fazem parte da vida desse tipo de peça em Bali. Cada marca deixada pelas ferramentas do escultor, cada camada de tinta e cada sinal da passagem do tempo registram o encontro entre habilidade humana e permanência. Na DominionArts, entendemos peças como esta como rastros materiais da história da humanidade — objetos que preservam não apenas a memória de uma cultura, mas também a capacidade da arte de transmitir valores, crenças e conhecimento através dos séculos. Sobre Garuda: A Ave que Roubou a Imortalidade · Garuda: O Guardião de Bali
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Arte Asiática
R$ 200.000,00
Dimensões da obra
70 × 50 × 50 cm
Altura × largura × profundidade
Medidas do produto completo, incluindo a moldura.