homas Bruce, 7º Conde de Elgin, chegou a Atenas em 1801 na condição de Embaixador Britânico ao Império Otomano — que controlava a Grécia desde 1453. Elgin havia obtido do governo otomano um firman (decreto) que lhe permitia estudar e moldar as ruínas da Acrópole. A interpretação que Elgin deu ao firman foi, no mínimo, expansiva: em vez de apenas moldar e estudar, ele removeu aproximadamente a metade dos frisos esculpidos do Partenon, além de outras peças da Acrópole, e as embarcou para a Inglaterra.
O processo levou vários anos, envolveu dezenas de trabalhadores, e causou dano ao Partenon que é visível até hoje — os locais de onde as esculturas foram cortadas ainda têm as marcas do trabalho. Um contemporâneo de Elgin, o poeta Byron, que estava em Atenas durante parte da operação, escreveu com raiva sobre o que via: "Dull is the eye that will not weep to see / Thy walls defaced, thy mouldering shrines removed." Byron chamou Elgin de ladrão; Elgin respondeu que havia salvado as esculturas da deterioração e do descaso.
O que foi levado
As esculturas que Elgin removeu incluem aproximadamente 247 metros do friso original do Partenon — as cenas dos frisos interno que representam a Procissão Pan-Atenáica — e 17 figuras de frontão e 15 metopas. O friso interno do Partenon era, originalmente, uma faixa contínua de 160 metros esculpida em baixo relevo representando a procissão religiosa que ocorria a cada quatro anos em honra de Atena. O que Elgin levou é aproximadamente metade disso.
O restante permaneceu em Atenas — parte no Partenon, parte no Museu da Acrópole. As esculturas que estão no British Museum e as que estão no Museu da Acrópole representam, juntas, um objeto único que foi fisicamente dividido entre dois países. Um friso de figura masculina correndo tem parte do corpo em Londres e parte em Atenas.
O argumento do British Museum
O British Museum mantém, há mais de dois séculos, uma posição consistente: as esculturas foram legalmente adquiridas com permissão do governo soberano da época (o Império Otomano), foram preservadas de condições que as teriam deteriorado na Grécia do século XIX, e estão agora em lugar onde 6 milhões de pessoas as veem por ano como parte de uma narrativa universal da civilização, não como patrimônio grego específico.
O argumento da "narrativa universal" é o mais sofisticado: o British Museum se apresenta como repositório da cultura da humanidade, não como coletor nacional. Nessa lógica, as esculturas gregas em Londres não são "gregas" no sentido de que pertencem à Grécia — são "da humanidade" no sentido de que pertencem a qualquer pessoa que as visite. A restituição à Grécia seria, nessa perspectiva, uma nationalização do que deveria ser universal.
O argumento grego
O argumento grego tem várias camadas que se fortaleceram ao longo do tempo:
A legalidade do firman. A tradução do firman original — que não era um documento escrito formal mas uma interpretação de um documento turco — foi contestada desde o início. Estudos mais recentes por especialistas em língua otomana sugeriram que o firman autorizava o estudo e a moldagem, não a remoção. Se essa interpretação estiver correta, a remoção foi, desde o início, sem autorização legal.
A integridade do objeto. O Partenon e suas esculturas são um objeto único — a escultura não faz sentido separada da arquitetura para a qual foi criada. Nenhuma exposição em museu pode reconstituir o que significa ver as metopas em relação ao edifício, os frisos na posição para a qual foram esculpidos, à luz e ângulo que o arquiteto projetou. A separação destruiu irreversivelmente parte do que tornava o objeto o que era.
A capacidade da Grécia. O argumento de que a Grécia do século XIX não poderia proteger as esculturas — que Elgin as "salvou" — é contestável historicamente (as peças que ficaram sobreviveram) e é hoje obviamente moot: o Museu da Acrópole, construído especificamente para receber as esculturas se devolvidas, abriu em 2009 com uma galeria que reproduz o Partenon em escala e que tem espaço reservado exatamente para as peças em Londres. A Grécia está preparada para receber o que pede.
O que o debate revela sobre custódia cultural
O debate dos Elgin Marbles é, em certa medida, o debate mais explícito sobre uma questão que o mercado de arte e os museus enfrentam em versões menos visíveis em toda parte: quem tem autoridade para custodiar a cultura da humanidade?
O British Museum responde: quem tem a infraestrutura para preservar e apresentar objetos ao maior número de pessoas. A lógica é utilitária — maximizar o acesso.
A Grécia responde: quem tem a conexão cultural contínua com o objeto e com a tradição que o produziu. A lógica é de continuidade — respeitar a origem.
O debate entre essas duas posições não tem resolução dentro dos termos em que foi colocado, porque as duas posições partem de premissas sobre o que importa que não são compatíveis. Um museu que maximiza acesso universal e um povo que reivindica continuidade cultural estão, literalmente, falando sobre coisas diferentes quando usam a palavra "custódia".
Isso não é impasse teórico — tem consequências práticas. A decisão do British Museum sobre os Elgin Marbles afeta como outros museus pensam sobre objetos em suas coleções com origens contestadas. Cada negociação de empréstimo, cada pedido de restituição, cada política de aquisição está, de alguma forma, respondendo ao precedente que os Elgin Marbles criam ou não criam.
O estado atual do debate
Em anos recentes, a rigidez histórica do British Museum cedeu ligeiramente. Em 2022 e 2023, o museu entrou em negociações com o governo grego sobre um possível acordo de empréstimo de longo prazo que poderia permitir que as esculturas fossem vistas em Atenas por períodos extendidos — mantendo a posse britânica mas aumentando o acesso grego. As negociações foram interrompidas por declarações públicas de membros do governo britânico que pareciam tornar qualquer acordo politicamente problemático.
O que o impasse revela é que o debate não é primariamente sobre as esculturas — é sobre o que o reconhecimento de reivindicações de restituição implica mais amplamente para coleções adquiridas no período colonial. A Grécia não é um caso isolado: é o caso que tornaria explícita uma política que o British Museum, o Metropolitan Museum, o Louvre e outras instituições preferem manter implícita.
Perguntas Frequentes
O firman que Elgin obteve realmente autorizava a remoção das esculturas? A questão é tecnicamente irresolvível porque o documento original em turco otomano foi traduzido de formas diferentes e a interpretação depende de julgamento linguístico sobre textos do início do século XIX. O que os historiadores concordam é que, mesmo na interpretação mais permissiva do firman, Elgin foi além do que qualquer autoridade razoável teria autorizado — o volume e o caráter destrutivo das remoções excedeu qualquer interpretação de "estudo" ou "moldagem". A questão de se o firman foi simplesmente violado ou se autorizava algo, é debatida; a questão de se Elgin agiu com o cuidado que um embaixador deveria ter é menos debatida.
Por que a Grécia não levou o caso a uma corte internacional? A Grécia explorou opções legais ao longo dos anos. O problema é que não existe mecanismo legal internacional que possa ordenar a restituição de bens culturais adquiridos antes das convenções modernas (especialmente a Convenção da UNESCO de 1970, que não é retroativa). A Corte Internacional de Justiça pode adjudicar disputas entre estados, mas somente se ambos os estados consentirem com a jurisdição — e o Reino Unido não consentiria com jurisdição da CIJ para essa disputa. A via legal é, portanto, essencialmente fechada; o que resta é negociação diplomática e pressão cultural.
Outros museus devolveram objetos após pedidos de restituição? Sim, e com crescente frequência. O Museu Getty devolveu objetos à Itália e à Grécia. O Metropolitan Museum devolveu peças ao Camboja, à Turquia e a outros países. O Museu Quai Branly-Jacques Chirac devolveu o acervo de arte do antigo Dahomey (Benin) ao Benin em 2021. O Museu Humboldt em Berlim comprometeu-se com um processo de devolução dos Bronzes de Benin. A direção geral do mercado e dos museus é de aumento da pressão por restituição — o que tornaria a rigidez histórica do British Museum sobre os Elgin Marbles cada vez mais uma posição de minoria.
DominionArts Editorial
29 de maio de 2026



