ali é, majoritariamente, uma ilha hindu — quase noventa por cento de sua população pratica o Agama Hindu Dharma, uma forma sincrética do hinduísmo que incorpora crenças locais, culto aos ancestrais e um panteão próprio. E, no entanto, boa parte da produção escultórica que sai de Bali hoje representa Buda, não Shiva ou Vishnu. Entender por quê revela algo importante sobre como uma tradição de ofício sobrevive — e se adapta — ao longo do tempo.
A pedra que a ilha oferece
A geologia vulcânica de Bali e da vizinha Java oferece, há séculos, a matéria-prima para uma das tradições de talha em pedra mais consistentes do Sudeste Asiático: andesito e basalto, rochas de granulação fina que aceitam entalhe detalhado e resistem bem à exposição externa. É a mesma família de pedra usada nos dois maiores monumentos religiosos da região — Borobudur, o maior monumento budista do mundo, e Prambanan, o complexo hindu que fica a poucos quilômetros dali —, ambos erguidos em Java no século IX.
Um ofício que não escolhe religião
Desde meados do século XX, e com força crescente a partir da abertura do turismo internacional nas décadas de 1970 e 1980, vilarejos como Batubulan, no sul de Bali, se consolidaram como centros de produção escultórica em pedra — atendendo tanto à demanda religiosa local (templos, santuários domésticos, imagens hindus de uso cotidiano) quanto a um mercado internacional de decoração e paisagismo, que frequentemente busca imagens budistas para jardins, spas e residências, independentemente da fé de quem talha a peça.





