izer que a fundição em cera perdida de Ife e Benin era "superior" à Europa medieval em proporção humana é o tipo de ranking civilizacional que qualquer tradição merece evitar — confunde escolha estilística com capacidade técnica. E tratar a técnica como um processo único e fixo esconde o que a torna interessante: ela envolve inúmeras variações — fundição sólida ou oca, uso de núcleo, sistemas de canais, ligas metálicas diferentes.
Este artigo trata a técnica pelo que ela é: um processo tecnicamente sofisticado com variação real — não uma vitória numa competição entre civilizações.
O processo básico
A fundição em cera perdida (cire perdue) envolve modelar a forma desejada em cera, revesti-la com material refratário, aquecer o conjunto para que a cera derreta e escoe (deixando um molde negativo), verter metal fundido no espaço vazio, e depois romper o molde para revelar a peça de metal. É, na essência, uma conversa técnica entre o artesão e o comportamento do material sob calor.
