azul intenso do Livro de Kells não veio de lápis-lazúli importado do Afeganistão — as análises da Trinity College Dublin identificam a fonte como índigo ou pastel-dos-tintureiros (woad), pigmento local. Os artistas insulares provavelmente não tinham acesso ao lápis-lazúli, material precioso importado, e criaram o efeito de riqueza cromática só com pigmentos ao alcance. O manuscrito também não usa folha de ouro — é célebre justamente por parecer luxuoso sem ele.
Este texto reconstrói o Livro de Kells a partir do que a Trinity College, instituição que guarda o manuscrito, efetivamente documenta.
O que o manuscrito é
O Livro de Kells é um manuscrito iluminado dos quatro evangelhos, produzido por volta do ano 800, hoje preservado na Biblioteca do Trinity College Dublin com 340 fólios sobreviventes. A datação e a origem exatas seguem debatidas: a atribuição mais citada aponta para o scriptorium de Iona, na Escócia, mas teorias alternativas colocam parte ou toda a produção na Nortúmbria ou no leste escocês, possivelmente ligada a contextos pictos — a origem permanece uma questão em aberto, não um fato fechado a uma única localidade.
