ete dias depois de dar à luz o homem que se tornaria Buda, Maya morreu. Segundo a tradição budista, ela renasceu como um ser celestial no céu de Trāyastriṃśa — o Céu dos Trinta e Três Deuses, no topo do Monte Meru, governado por Indra. Ela nunca teve a chance de conhecer o filho que criou o caminho para a libertação. Foi para reparar essa ausência, dizem os textos, que Buda decidiu subir até ela.
O ensinamento entre os deuses
Após alcançar a iluminação, Buda ascendeu a Trāyastriṃśa durante um único retiro das chuvas — o período monástico tradicional de recolhimento — para ensinar o Abhidharma, a parte mais sistemática e filosófica de sua doutrina, à mãe e à assembleia de deuses reunida. Três meses depois, tendo completado o ensinamento, ele desceu de volta ao mundo dos homens.
É esse retorno — não a ascensão, mas a descida — que a tradição escolheu celebrar e representar.
A escadaria tripla
Diz-se que Buda desceu por uma escadaria tripla: a central, de cristal ou pedras preciosas, reservada a ele; uma de ouro, por onde desceu Brahma; uma de prata, por onde desceu Indra — cada um segurando um guarda-sol cerimonial em sinal de reverência. Ao redor, uma multidão de seres celestiais e terrestres teria se reunido para testemunhar o momento em que o Iluminado voltava a pisar a terra, na cidade de Sankassa.
É essa cena — Buda ladeado por Brahma e Indra sob guarda-sóis, cercado por hostes em prece — que aparece com frequência na arte budista do Sudeste Asiático, entre os chamados Oito Grandes Eventos da vida de Buda.



